segunda-feira, 28 de março de 2011

RIO MEARIM

 
           
RIO MEARIM

            Amiúde a mídia deu um destaque especial para o Rio São Francisco, carinhosamente alcunhado de o velho Chico, em virtude do projeto megalomaníaco de transposição do governo federal. O Bispo dom Luiz Flávio Cappio em um ato de desespero chegou a fazer greve de fome, em protesto contra a transposição. Antes, porém, é notório que para qualquer transfusão exige um doador saudável, o que não é o caso. Portanto, o primeiro e mais importante passo é fortalecê-lo, com a recuperação das matas ciliares, uma vez que os rios brasileiros precisam ser mais respeitados.
            As matas ciliares não escaparam da destruição; pelo contrário, foram alvo de todo o tipo de degradação. Basta considerar que muitas cidades foram formadas às margens de rios, eliminando-se todo tipo de vegetação ciliar; e muitas acabam pagando um preço alto por isto, através de inundações constantes.
            Os problemas que aniquilam o velho Chico, também vêm acontecendo com o nosso querido Rio Mearim; assoreamento, desmatamento e esgotos despejados no seu leito etc., faltando, portanto uma política eficaz, pois os políticos da região do Mearim demonstram uma visão miúda no trato com a coisa pública, principalmente quando o assunto é a revitalização do Rio Mearim. Este é um dos maiores rios maranhenses, o mais importante, em razão das suas múltiplas funções no processo histórico de ocupação e colonização de nossas terras, com aproximadamente 750 km de extensão. Nasce entre as serras da Canela e do Negro e deságua na baía de São Marcos.
            Tememos, contudo, que essa ação de revitalização venha tarde demais, ou quem sabe nunca! Mesmo agonizando, todavia, o Rio Mearim, está entre os principais rios da imensa potamografia do nosso estado, dotado com dezenas de grandes cursos contínuos, somado as suas incontáveis sinuosidades, afluentes e seus cardumes de beleza. (PRESTES A DESAPARECER)
O Mearim há bem pouco tempo atrás era um rio caudaloso, no entanto, paulatinamente está fadado a virar um córrego. Certo dia com profunda tristeza e grande desencanto atravessei a vau as suas águas turvas e cálidas, antes navegadas por navios de grande porte. Rio esse intensamente presente nos mais diversos capítulos da nossa vida, sejam em: pescarias, banhos, passeios de lanchas, e até em enchentes como a de 1974. Parafraseando o poeta Zé da Luz digo: Ó Mearim qui banha /A minha terra quírida / Ó rio qui acumpanha /A história da minha vida.
            Infelizmente da maneira como o Mearim vem sendo tratado, em pouco tempo deixará de existir, e as futuras gerações só o virá quiçá em fotografias. Mas pra que isso não ocorra, devemos criar urgentemente um conjunto de medidas drásticas juntamente com o poder público e privado para que o Rio Mearim seja revigorado o mais depressa possível.
            Inebriado pela sabedoria desse amante da natureza navego sem medo de me afogar no rio de palavras desse nobre amigo e poeta Pedro Carreira (autor de: As Pedras do Araçagy) que diz: “Deus nos oferece através da natureza uma infinidade de opções para vivermos em permanente equilíbrio e aquilatarmos melhor o valor da vida. Pois quem ama a natureza, jamais padecerá de solidão”.


Paul Getty S Nascimento
Academia Pedreirense de Letras

                                                                                                                   
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