segunda-feira, 20 de junho de 2011

Os Males do CRACK



O Crack queima o tempo, o dinheiro e a saúde física e mental dos viciados. Isso já é conhecido. O que nem sempre se vê é que essa droga também causa devastação na vida de pais e mães dos dependentes. Como um Tsunami silencioso, a epidemia de Crack tem avançado de forma arrasadora sobre um número cada vez maior de famílias brasileiras. Uma pesquisa recente da Fundação Osvaldo Cruz indica que há hoje 1 milhão de viciados nessa droga no Brasil. Hoje faz vítimas em nada menos que 98% dos municípios brasileiros. A horda de zumbis que o Crack produz deixou de ser formada apenas por mendigos e moradores de rua. Lentamente, o Crack subiu a escala social. As clínicas e os psiquiatras cuidam de estudantes universitários, empresários, advogados e até médicos.
Nenhuma droga danifica o cérebro com tanta rapidez. O viciado perde completamente o senso do julgamento e a responsabilidade. Fica agressivo. Para comprar as pedras, é capaz de roubar o dinheiro dos pais e objetos da própria casa. Muitos, sem nenhum antecedente de delinqüência, passam a assaltar. Os traficantes, aproveitando-se do desespero do dependente, dão cinco ou seis pedras em troca, por um aparelho de televisão. Para ficar mais perto das pedras, o viciado não se importa em passar dias ou semanas morando na rua. A história mais comum é a do adolescente que sai bem-vestido, com dinheiro no bolso, e só volta para casa cinco dias depois, sujo, magro e desidratado, vestindo só uma bermuda. Trocou tudo por Crack e não fez nada nesses dias além de fumar. Ele só volta pra casa quando está totalmente esgotado, sem forças.
Um filho viciado em Crack desestabiliza toda a família. As tentativas de impedi-lo de sair de casa não funcionam. Se as portas são trancadas, ele pula as janelas. Pega escondido o carro. Muitos pais passam a noite em claro, esperando o telefone tocar – as ligações mais temidas são do hospital, da polícia, e do IML (Instituto Médico Legal). A promessa de que ele vai deixar o vício sempre soa sincera, mas nunca é cumprida. Os pais carregam seu tormento para o trabalho e para a vida social. A vida gira em torno do viciado. Muitas vezes o patrimônio familiar é dilapidado com cara e prolongadas internações clínicas de desintoxicação.
O Crack é uma forma grosseira, porém mais potente, de cocaína. Os efeitos de ambas as drogas são os mesmo: bem-estar, energia e euforia. Essas sensações se devem ao cloridrato de cocaína, seu princípio ativo, que, chegando ao cérebro libera dopamina, o neurotransmissor responsável pela sensação de prazer. A probabilidade de um iniciante se viciar em Crack é o dobro da de se viciar em cocaína. Isso porque no vapor da pedra de Crack há concentração mais elevada de cloridrato de cocaína do que no pó que se aspira. A “brisa” da Kryptonita (com efeitos nocivos de enfraquecimento ao Superman) apelido dado à pedra de Crack, como dizem os viciados, surge em 10 segundos e se esvai em 10 minutos. O efeito da cocaína leva alguns minutos para começar a se prolongar por até uma hora. Normalmente, basta uma semana para que a pessoa já não consiga ficar sem o Crack. Com a cocaína, o vício leva meses para se estabelecer.
A literatura médica enumera mais de cinqüenta doenças desencadeadas pelo uso de Crack: psiquiátricas, cardíacas, respiratórias e renais, entre outras. O enfisema pulmonar leva 30 anos para se manifestar num fumante e poucos anos no usuário de Crack. Para se recuperar do vício, o dependente precisa passar por um longo processo, que inclui internações, consultas freqüentes com psiquiatra e psicólogos e atividades que ajudem a reinseri-lo na família e na sociedade.
O submundo das drogas tende a ficar ainda mais perigoso. Neste ano, a polícia apreendeu pela primeira vez o ÓXI, uma espécie de Crack ao qual se acrescentam na preparação ingredientes baratos e perigosos como cal virgem, ácido bórico, ácido sulfúrico, gasolina e querosene. Essas substâncias fazem com que a pedra custe menos que o Crack, sem lhe tirar o poder alucinógeno. Segundo pesquisas com 100 viciados que migraram do Crack para o óxi. Um ano depois, 33 haviam morrido vítimas de AIDS e Hepatites virais. Infelizmente para o ex-usuário de Crack embora a família o considere “limpo”, sabemos que ele não está curado – porque simplesmente não há cura. Está controlado. E terá de cuidar da dependência química pelo resto da vida. Qualquer deslize pode trazer o inferno de volta. É como se o dependente tivesse uma vela. Quando ele fica abstinente, a vela se apaga. Assim que ele volta a usar a droga, mesmo que seja muitos anos depois, a vela se acende e passar a queimar do lugar onde havia parado. Não volta atrás.

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