quarta-feira, 11 de março de 2015

PARQUE MARATÁ PODE TORNAR-SE UMA ASSOCIAÇÃO DE UTILIDADE PÚBLICA

Por: Joaquim Filho

O vereador Manoel Belmiro encaminhou hoje (11) na sessão ordinária que aconteceu na Câmara de Trizidela do Vale-MA, o Projeto Lei nº 006/20015, de 10 de março de 2015 que pela história e pela importância que tem o Parque de Maratá para o município, considera de utilidade pública a Associação do Parque de Vaquejadas Maratá, tanto a matriz como as filiais.

Quem pensar que o projeto vem "puxar brasa para sua sardinha", pelo fato de ser cunhado do proprietário Paulo Maratá, está redondamente e culturalmente enganado, pois, em um texto que foi escrito para o Blog Pedras Verdes, naquela ocasião, falávamos que o Parque Maratá com as diversas vaquejadas e demais eventos que já realizara, tem chegado a um patamar que vai além do que muita gente pensa, até mesmo a família proprietária. O Parque se tornou um espaço do povo, uma marca forte e de grande referência cultural e turismo de Trizidela do Vale e Pedreiras.

O Projeto bem elaborado e bem conduzido pela Câmara foi solicitado pela Comissão de Justiça a dar mais uma olhada e uma estudada, mas isso não quer dizer que será rejeitado pela aquela Casa, coisa que se acontecer, será uma falta de sensibilidade dos senhores edis.

Segundo o vereador Belmiro (que tem sido uma voz forte nesses últimos tempos), por se tratar de uma entidade que presta relevantes serviços à sociedade Trizidelense e dedicada a promover e incentivar ações de inclusão social, cultura e artes, solicita o reconhecimento daquela associação com o Titulo de Utilidade Pública Municipal.


segunda-feira, 9 de março de 2015

MANOEL BELMIRO DE SOUSA: VÁ COM DEUS, “SEU” BIBI!

Por: Joaquim Filho

Lima Campos, Pedreiras, Trizidela do Vale e Região foram pegos de surpresas com a passagem para a vida eterna de MANOEL BELMIRO DE SOUSA, conhecido carinhosamente pelos seus familiares e amigos pela alcunha de “Bibi”. Com a extensa idade de 94 anos e já com a saúde debilitada, Manoel Belmiro faleceu neste sábado, dia 07 de março de 2015, véspera do Dia Interacional da Mulher, por volta das 8h30, em São Luís do Maranhão, onde passara suas últimas horas de vida. O velório e o sepultamento também ocorreram naquela referida cidade, um desejo dos familiares que fosse sepultado ao lado da sua consorte que também falecera a alguns meses passados.

Manoel Belmiro de Sousa "Seu Bibi"
Para deixar os leitores mais jovens em sintonia com a nossa informação, a pessoa a qual estamos falando, “seu” “Bibi”, trata-se do pai da senhora Iris Lane. Avô do empresário e poeta Paul Getty e do vereador de Trizidela do Vale Belmiro Neto.

Mas quem foi Manoel Belmiro de Sousa? O que esse senhor que viveu 94 anos fez e deixou para que nós possamos nos orgulhar dele e da sua história? Há um ditado que diz que todos que passam aqui pela Terra, não importam os seus feitos, mas todo mundo tem uma história a ser contado. E, Manoel Belmiro não foi diferente. Destarte, vamos contar um pouco sobre a vida desse homem.

Em 2013 o poeta e escritor Daniel Cavalcante, membro da Academia Pedreirense de Letras, lançou o livro intitulado “HOMENS E MULHERES QUE FIZERAM LIMA CAMPOS”, obra cujo evento de lançamento teve o nosso trabalho como cerimonial e, dentre as personalidades citadas no livro que o autor se refere que fizeram Lima Campos, lá está gravado o nome de Manoel Belmiro de Sousa, na página 99, no Capítulo XXII que poderá ser lido, pesquisado e estudado pelos leitores curiosos e sedentos de história. Eis o que narra o admirado confrade Daniel Cavalcante em seu rico e precioso livro:

“Manoel Belmiro de Sousa “bibi” nasceu no dia 1º de janeiro de 1921, no sítio Buritirana, município de Picos, estado do Piauí. Atraído pelos bons comentários que ouvia sobre Pedreiras e sonhando com dias melhores, “Bibi” veio e depois mudou-se para aquela cidade e procurou trabalho com o Senhor Luís Ferreira Lima, que possuía um comércio em Lima Campos que vendia de tudo, mas o principal artigo era tecido. Após os acertos com o patrão, “Bibi” veio para Lima Campos, chegando aqui em outubro de 1940.

Rapaz novo, trabalhador e de boa aparência, conquistou mais fregueses para o estabelecimento: as vendas aumentaram e, consequentemente, ganhou a confiança e a amizade do patrão.

Em 1942 casou-se com a jovem Valdomira Brito de Sousa, filha de Evaristo Batista de Araújo, que chegara a Lima Campos em 1932, vindo do Rio Grande do Norte, também fugindo da seca.

Trabalhou para Luís de Lima até 1947, quando, por decisão própria, resolveu demitir-se do emprego, para tentar a vida trabalhando como autônomo.

Antes, porém, de demitir-se, mandou construir uma casa grande, de taipa, na então Rua do Cajueiro, por ser o início do caminho para o importante povoado Santo Antônio dos Sardinhas. Hoje o local dessa casa é exatamente a esquina do lado esquerdo da Rua Dr. Joel Barbosa com a Avenida J.K.

“Bibi” mudou-se com a família para essa casa e instalou um comércio de mercadoria e de compra de produtos agrícolas disponíveis em nosso estado.

O sucesso desse empreendimento foi uma coisa nunca vista. Era como se só existisse esse comércio em Lima Campos. Todos só queriam comprar ou vender na PERSEVARANÇA, nome dado ao estabelecimento pelo proprietário.

Para se ter uma ideia, naquele tempo, meu pai tinha uma padaria, e “Bibi” comprava nossos pães para revender. Ele revendia mais de 50% de toda a produção, ou seja, sozinho vendia mais pão do que todos os outros comerciantes juntos.

O progresso foi tamanho que, seis meses depois, comprou um caminhão Chevrolet novo. Chegou a comprar duas carradas de babaçu por semana, mais de 30.000 alqueires de arroz por safra e centenas de arroba de algodão. A maior parte desses produtos era comercializada em Coroatá com as indústrias Aguiar, João Reis e Vitor Trovão.

Entretanto, todo esse progresso tinha um prazo para declinar, e o prazo chegou no dia em que “Bibi” comprou as terras de Santa Maria dos Novais. Não foi somente pela retirada do dinheiro do capital de giro para pagar as terras, mas porque, inexplicavelmente, o negócio não foi exitoso.

Diante das evidências dos maus pressentimentos, resolveu vender Santa Maria dos Novais e comprar outra propriedade em São Luís Gonzaga, propriedade essa que lhe deu certo equilíbrio, entretanto nunca mais os horizontes foram tão amplos como antes.

Em 1958, “Bibi” vendeu a propriedade em São Luís Gonzaga, mudou-se para Pedreiras e instalou um supermercado, que também não deu certo. Então, vendeu tudo e, mais uma vez, foi morar em São João da Mata, onde comprou outra propriedade. Em 1965, teve um AVC (acidente vascular cerebral) e, reconhecendo que não podia mais trabalhar, tornou a vender tudo o que possuía e aplicou o dinheiro no banco. Com as constantes trocas de nome da moeda brasileira e as mudanças no sistema financeiro, o dinheiro aplicado perdeu o valor e, praticamente, acabou-se.

Hoje ele aos 9º anos de idade, vive feliz com a esposa numa modesta residência em Pedreiras. É um crente fervoroso, pregador do evangelho. Gravou um CD evangélico, muito mais para divulgar a palavra de Cristo do que por interesse financeiro.

Tornou-se um homem paciente, e o temor de Deus o satisfaz. É conformado porque tem a absoluta certeza de que o enredo de sua vida foi escrito por intermédio do Divino. Para nós, antigos moradores de Lima Campos, que tivemos o privilégio de conviver com “Bibi”, estamos felizes por sabermos que ele está bem, que seu carisma é intocável e que suas qualidades de homem bom, honesto e trabalhador são presentes de Deus.”

Foi com essa narrativa com muita beleza e respeito que o poeta, escritor e historiador lima campense Daniel Cavalcante falou do seu amigo e conterrâneo que agora repousa na Santa Glória de Pai Celeste.

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